segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

vasculhando o meu computador eu achei isso... e modéstia parte, apesar de confuso, achei esse texto muito legal...


O mar, esverdeado, meio cinza, prateado, com o sol refletido ou a lua, as ondas pulsando erroneamente na areia macia. O mar que gela meus ossos, que gela meu sangue, atravessando minha carne com pinças de gelo, que me refresca no verão bruto, liberando minha mente dos pensamentos sufocantes congestionados de suor, dos fatos calorosos do verão, das tarefas, compromissos, deveres que se tem um prazo, dos problemas enfrentados em casa, na escola, na rua. O mar de Florianópolis que banha toda a gente, que banha não só os pescadores ou até os burgueses que tem coragem para enfrentar a fúria do deus dos mares, mas também os estrangeiros que se enchem de prazer, de uma real felicidade ao entrarem no mar gélido conversando em uma língua não inteligível com seus familiares sobre a ardência da vermelhidão que predomina em sua pele.
Nunca achei que fosse aqui que ia terminar, escrevendo nesse surrado pedaço de papel, com uma caneta de um banco qualquer. Nunca achei que iria acabar aqui, no lugar em que minha mente funciona com clareza e exatidão, nem mesmo o barulho urgente das ondas que navegam e acabam por se perder na imensidão quente e aconchegante de areia, esse som na verdade só me ajuda a focar, nas coisas boas da vida, nas lembranças dos verões distantes em que eu ria livremente me livrando de todos os pesares... Como era boa a época em que não haviam preocupações, as longas férias de verão, cheia de amigos e sorrisos, abraços, de contato, de calor, de água, água do mar que se posiciona na minha frente nesse instante, rindo com luxúria da minha face coberta por causa do vento sul que sopra, sem se conter arrasta a areia, fazendo com que ela ri chicoteie na minha pele, deixando-me marcas avermelhadas na perna. A espuma branca se formando nas ondas maciças, brilhando com um poder pomposo que se apodera de seus átomos intensificando a sensação de liberdade.
Não estou certa do que faço, minha mente trabalha bem neste ambiente puro, mas meus atos são impulsionados por algo mais forte, que se abate sobre minha alma deixando rastros de uma fraqueza vulgar. O medo está se apoderando de minha mente aos poucos, está corroendo minhas ideias, meus objetivos. Para que viver se não se tem um objetivo? Para que viver... A vida em si não faz muito sentido para mim, digo para que com qual finalidade tanto esforço, tanto estudo, para depois poder arranjar um bom emprego que te prenda em uma vida maçante, com uma rotina diária. Os momentos de descontração aos poucos vão se mostrando mais raros, tornando a felicidade uma regalia concedida para poucos. A felicidade então seria o único motivo real para o qual se vale a pena viver, mas se nem isto lhe é permitido durante sua estadia nesse mundo para que então aproveitar essa passagem.
Os pensamentos que agora mais do que nunca, depois de botá-los no papel, escrevê-los com tinta estão mais convictos, mais reais. A realidade é outra abstração que voa pelas ideias, deixando um rastro inseguro, o qual a maioria ignora. Ótimos ignorantes são essa gente. A veracidade é difusa a realidade, a veracidade foi inventada pelo homem, para que tenha poder, a verdade se torna tão irreal, tão diferente do que realmente se é. O homem usa a veracidade para controlar os pensamentos do resto dessa raça, fazendo-os julgar que a verdade é o que eles querem que sejam, ou pelo menos o que é melhor para eles que sejam. Se a maioria acredita em algo, aquilo quase que automaticamente se torna verdade.
Já a realidade é algo natural, imutável, a realidade não é só uma, é sim muitas coisas, não é por que uma coisa é imaginaria que não é real, ela pode ser real dentro da sua imaginação, no contexto certo, tudo pode ser real. O mar é real, o mar é mais que real, o mar é um imaginário real. Um imaginário real, isso soa tão bem nos meus ouvidos, afinal o que mais tem importância na minha vida são as coisas que em minha mente prego serem as mais imaginárias, mas se no contexto da minha mente elas são reais, então essa pode se tornar minha realidade, então tudo que eu acreditava, toda a verdade que eu considerava certa não passa de mentiras inventadas pelo vírus que está tentando corroer minhas ideias. Acho que minha imaginação está em uma tentativa de proteger meus pensamentos, proteger o que mais lhe é precioso, pois tem a necessidade vital disto para se orientar.
As coisas mais importantes para mim, essas que são tão imaginariamente reais são as palavras, as quais estou usando agora para escrever essa reflexão que provavelmente está salvando minha vida. Pois tudo que eu quero neste instante (julgo ser imaginário real também, o instante) é entrar nesse mar rebelde que repousa violentamente na areia aqui logo ali, na minha frente, um pouco da água que bate surrante contra a praia escapa pelo ar, dando alguns mortais estranhos e chegando na folha de papel, na minha face, quem me vê, de perto, porém emocionalmente de longe pode pensar que estou chorando, afinal não se é muito diferenciável lágrimas da água do mar, as duas são salgadas, puras, ambas pesam, estão se libertando de uma pisão, pesam todo o peso que está indo embora com elas.

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