domingo, 7 de setembro de 2014

Tempo de Não Ser. Tempo de Crescer. Só Tempo.

Eu Cresci e eu continuo Crescendo. Eu Cresço por que o Tempo não para. o Tempo corre. O Tempo Tempo. O Tempo Tempo e eu Cresço. Eu Cresço. Cresci. Continuo nisso. Continuo Crescendo, o Tempo todo, porque o Tempo. Tempo. Cresço. Cresço por que Tempo. O Tempo existe. E eu Cresço. De Pequena para Grande. Não tão Grande. Nunca muito Grande. Só Grande. Não Grande. O Tempo é Grande. O Tempo é muito Grande. Porque o Tempo é Tempo, e o Tempo não Cresce ele só É. O Tempo É e não É mais cada vez que se fala Tempo. Porque o Tempo que Era já passou, mas um novo Tempo ta sempre ai. Viu? Não? É porque já passou. E agora? Também não, ele passa rápido, mais rápido do que conseguimos ver, porque ele é o Tempo, ele é um Bruxo de Artes, um Bruxo da Vida e do Universo, das Estrelas e da Lua. O Tempo é Tempo. Mas é Tempo do que? É Tempo de Crescer, por que sempre é Tempo de Crescer, se não não seria Tempo. E o Tempo sempre É e sempre Foi, o Tempo também sempre Será, mas Eu não, porque Eu Cresço e logo eu Morro. E você Nasce. Por que no Tempo tudo acontece. Eu Nasço, eu Vivo, eu Morro, tudo ao mesmo Tempo. Mas o Tempo pra mim é Pequeno. O Tempo. O Tempo é Tempo. Eu conheço o Tempo. Eu Vi ele, de longe. Mas Vi. Você também Viu ele? Talvez. O Tempo é meio Invisível, mas não Invisível Invisível, ele só se Camufla na Vida. Ele se perde na Felicidade e volta correndo quando tem Tristeza na Alma. Ele ta sempre pertinho no Sofrimento, mas na Diversão ele some. Ele foge, ele da um mergulho no Oceano. No Mar. Ele se Afoga. Mas não para sempre. Porque daqui a pouco ele ta ai de novo, e ai você pode Ver ele. É só Parar. E Respirar. E ai você Vê, com o canto do Olho, ele ali te observando e Rindo da sua cara, porque ele está te Consumindo, a sua Carne, mas não a sua Alma. Nunca a sua Alma. A Alma é blindada contra o Tempo, ele não pode Tocar nela, só Ver de longe e ficar com Vontade. Mas nunca chegar perto, nunca se Intrometer nos assuntos dela, por que ela é mais Poderosa, ela é Feliz. A Alma é o Tempo. O Tempo é a Alma. Por isso.
Eu Cresço, mas eu não Morro, eu Sou o Tempo, eu tenho Alma. Eu Sou uma Alma, que é parte do Tempo. Eu tenho Asas. Eu posso Voar. Voar no Abismo do Tempo. No Céu das Almas. Eu Voo, por aqui e por lá, eu Voo por que Gosto, eu Voo por que Tempo. Agora Não Sou mais. Agora Não Sou. Simples assim. Só Não Ser. Não Ser é bom. Não Sendo não existem Preocupações, não é preciso se Preocupar com o Tempo. Nem com Dinheiro. Nem com Amor. E nem com a Dor. Porque quando se Não É essas coisas não Existem. Só Leio. E Voo. E Tempo. Por que Tempo Tempo. Mas pera. Não Tempo. Não mais. porque Não Sou. Tinha me Esquecido. Só isso. Ponto.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Se a vida te der limões, faça uma limonada.

Uma menina. Baixinha. Cansada. Ela chegou da escola as 19h, o sol já tinha se posto e a lua estava meio torta por que ainda não estava cheia. Tinham nuvens no céu, elas cobriam a maioria das estrelas, menos uma que brilhava tão intensamente que a luz passava pelas nuvens e então você poderia vê-la aqui da terra. A menina chegou caminhando pela rua, estava cansada do dia cheio na escola. Suas costas estavam doendo levemente por causa do peso da mochila no seu ombro, e uma mecha de cabelo azul atrapalhava a visão de seus pés enquanto ela ia chegando perto de casa com passos lentos. Quando chegou no portão, estava com preguiça de pegar a chave para destrancar o cadeado, então simplesmente jogou a mochila por cima do portão, apoiou seu pé na grade onde já havia uma deformação no formato de seu pé e pulou.
A menina entrou em casa, tirou os sapatos, jogou a mochila em cima da cama, foi até o banheiro dobrou a manga de sua camiseta listrada e lavou as mãos. Com as mãos limpinhas e de pés descalços, ela saiu pela porta de sua casa, desceu os degraus que separavam a varanda da grama e sentiu a terra em sua sola do pé. Tanto a grama quanto a terra eram frias, frias, mas aconchegantes. Ela caminhou até uma árvore, a árvore era espaçosa, os galhos haviam crescido de uma forma descontrolada, porém o tronco era fino. A árvore tinha espinhos e folhas bem verdes. Frutas laranjas e gordas pendiam de seus galhos. Limões. Ela ficou um tempo admirando o contraste do laranja com o verde, mesmo que a unica iluminação ali fosse a da lua, portanto mal dava para diferenciar as cores. Ela não se importava. Passou então a escolher, o limão perfeito deveria ser maduro, mas nem tanto, e grande para render. Seus olhos vagavam de um lado para o outro, analisando cada uma das belas frutas. Até que se deparou com o perfeito. A menina arrancou o limão, mas como era meio estabanada e não estava prestando muita atenção em sua ação pois pensava apenas na deliciosa limonada que faria em seguida, acabou por furar seu dedo em um dos espinhos proeminentes do galho. por reflexo levou seu dedo diretamente para a boca, quase deixando o limão cair. O gosto do sangue era igual ao de ferro, o mesmo gosto de quando você chupa uma chave. O furo ardia levemente, mas a menina acabou por não dar muita bola para ele, e voltou logo para dentro de casa.
Com o limão em mãos, ela só precisou pegar sua xícara preferida, uma pequena peneira vermelha, uma faca, uma garrafa de água gelada, açúcar e uma colher. Com a faca ela cortou o limão, posicionou a peneirinha na xícara, deixando as bordas em um alinhamento perfeito e espremeu o limão, fazendo todo o suco deixar a carcaça e escorrer pelas suas mão e para a peneira. Nesse momento o corte que ela havia feito antes ardeu um pouco, mas a tarefa da menina era importante demais para ser abandonada por uma simples ardência, portanto ela continuou espremendo o limão, para aproveitar cada gota do suco que ele continha. A mesma coisa foi feita com a outra metade da fruta, e então ela tirou a peneira de cima da xícara, jogou as sementes que haviam sido ali barradas no lixo, e partiu para a próxima etapa. Ela pegou a garrafa de água e encheu a xícara com ela, deixando a cor do suco que era de um laranja mais forte bem clarinha. Só faltava um pouco de açúcar, então três colheres do ingrediente foram adicionadas pela menina, que depois misturou o líquido.
Estava pronta, gelada e adoçada, a bebida preferida daquela menina. Uma limonada feita com o limão do pé de sua casa, num final do dia depois de muito pensar na escola e voltar em pé em um ônibus lotado lendo seu livro, depois de caminhar a rua de terra olhando para o céu. Ela bebeu e ficou feliz, todo o esforço do dia valia a pena ela percebeu, ao pensar sobre o assunto enquanto saboreava aquela deliciosa bebida.

domingo, 20 de abril de 2014

Lua depois de cheia

As nuvens eram fantasmas. A lua tava meio torta, poucos dias depois da lua cheia, agora ela tava decrescendo. O céu tinha nuvens, muitas delas, apesar de que ainda assim ele não estava totalmente coberto, e ainda se viam algumas estrelas e a lua. Porém uma nuvem em especial chamou a minha atenção. Ela não tinha nenhum forma bizarra, nem era uma nuvem muito grande, mas ela tava passando pela frente da lua, só que mesmo assim eu continuei vendo a lua, mesmo ela estando toda coberta pela nuvem. Na verdade, a nuvem não era uma nuvem, e sim um fantasma, um espirito livre fingindo ser uma nuvem. Uma porção de algo imaterial, mas visível, translucido, mas ainda assim visível, que estava passeando pelo céu espiando o mundo dos vivos. Mas se uma nuvem era um fantasma, então por que não as outras? Talvez todas elas, não sempre, mas naquela noite, os espíritos estavam soltos, livres, no céu, passeando e observando, voando, junto com as nuvens, talvez eles venham de vez em quando para nos visitar, e ver como a vida está por aqui. Eles apenas tem de se fantasiar de nuvens. Não deve ser muito difícil.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rótulos

Pensar, pensar... Sociedade, viver interagindo com pessoas. As pessoas julgam e rotulam tudo o que vem, escutam, ou até mesmo sentem. As relações são rotuladas, a sexualidade é rotulada, os sentimentos são rotulados, e cada vez mais eu me pergunto "para que?".
A língua foi feita pelos humanos, e ela é muito limitada. Mesmo que a escrita, a fala, a poesia, a arte consiga cada vez mais quebrar os limites da expressão, e consigam demonstrar sentimentos de formas inacreditáveis, o nosso vocabulário, e falo principalmente da língua em si, o português, o inglês, o francês, o espanhol, o alemão, todas elas, todas as diversas línguas que são faladas e escritas pelos humanos são limitadas, e mesmo assim a gente tenta usar as palavras para determinar coisas que não deveriam ser determinadas. E isso acaba prendendo o nosso sentimento.
No livro 1984, escrito por George Orwell que se passa em um mundo "futurístico" onde tem uma ditadura imposta pelo "Grande Irmão", é inventada uma nova língua, que é chamada de novafala no livro traduzido. Essa "novafala" tem a intenção de limitar ainda mais a liberdade de expressão, por que a língua é o nosso maior meio de comunicação, ou pelo menos é um dos maiores, e limitando o vocabulário, tirando sinônimos, adjetivos, palavras no geral, a capacidade de se expressar através da fala e da escrita é reduzida drasticamente. A "novafala" é planejada justamente para isso, para impedir as pessoas de falarem o que elas sentem e pensam, ela é horrendamente planejada para ser um cadeado de pensamentos e emoções que podem trazer a ruína para o "Grande Irmão" e ela é uma das coisas mais absurdas desse livro e o que me trouxe mais indignação, por que as pessoas são obrigadas a viver em um mundo onde elas são impedidas de se expressar! Mas elas não sabem disso e aceitam as condições que vivem e até são felizes assim, por que elas não sabem e não querem saber da possibilidade de um estilo de vida melhor. E isso sempre me faz pensar que pode existir um estilo de vida melhor do que o em que a gente vive, não pode, existe, talvez não nessas condições, mas deveria poder. Nós somos tão controlados e manipulados por essa sociedade que insiste em rotular tudo! Isso me deixa tão indignada.
Não creio que hajam palavras para descrever sentimentos, não creio que as palavras que existem sejam o suficiente para isso, mas não creio também que seja necessário expressá-los através de palavras, não por que essas não possam trazer toda a intensidade dos sentimentos, mas as vezes elas ficam confusas para demonstrar a real proporção destes, por que o significado de uma palavra para uma pessoa pode ser muito diferente para outra, e os sentimentos não precisam ser dimensionados, eles só precisam ser demonstrados pelo que são, não é importante classificá-los, e sim senti-los.
Rótulos são desnecessários, e cada vez nós usamos mais rótulos. Isso é triste.